Sobre o Benfica - Braga:
1) Lá estive. Achei que o jogo teve uma intensidade rara nos últimos anos em desafios a contar para competições domésticas (onde, em vez de intensidade, temos agressividade, provocação e uma presença excessiva do árbitro). Desta vez senti-me como numa noite europeia, embora no essencial o desafio me parecesse mal jogado, com bastantes erros. Uma vitória merecida do Benfica, mas uma presença do Braga que me surpreendeu.
2) Acho que se confirmou que estamos numa “idade de ouro” no que toca a treinadores portugueses: e eu não sou de embarcar facilmente nestes nacionalismos. Não é fácil de encontrar noutros países esta forma de encarar os jogos que o Mourinho, o Jesus, o Domingos e outros treinadores portugueses (onde incluo o Paulo Bento) exibem. Interessante. Não tenho uma explicação particular, mas na minha experiência no estrangeiro aprendi a perceber que os portugueses são particularmente apreciados pela sua inteligência e postura emotiva (por oposição a posturas mais mecânicas e passivas). talvez seja isso.
3) Como sempre, nos jogos ao vivo fico com uma impressão mais completa do valor individual dos jogadores e, como sempre também, percebo quão influenciável pode ser a nossa percepção das coisas quando deixamos a imprensa, um narrador ou outro qualquer intermediário filtrar a leitura do jogo. Hoje, ao ler a imprensa ou ao ver os resumos, “vejo” jogos diferentes daquele a que assisti: para além de achar triste – triste – triste que a imprensa se sinta obrigada a valorizar o ângulo polémico do jogo (Jesus vs Domingos e lances duvidosos) em vez do ângulo virtuoso, de longe o dominante. Para quando uma mudança de atitude dos nossos jornalistas?
4) Dito isto, achei invulgar a presença constante dos laterais do Benfica (mão de Jesus) e extraordinária a importância do David Luiz (a caminho de um super-grande europeu, não tenho dúvidas). Fiquei surpreendido com a primeira parte do Carlos Martins: muito influente no inicio das jogadas; e nada surpreendido com a amplitude do Javi Garcia: já esteve melhor fisicamente, mas o homem vale 50 metros de largura e 60 de profundidade. Mas para mim o melhor foi o Ramires: pelos tangíveis e intangíveis.
5) O Luisão já tem lugar a estátua. Para quando!?
Este blog é um espaço de opinião sobre o futebol de hoje e sobre algumas memórias do futebol que vimos e vivemos. O título evoca um programa desportivo de rádio que durante anos foi emitido na Antena 1, às 6ªas à noite. Os ouvintes ligavam e diziam que era um prazer falar no "livre indirecto", era "matemático".
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domingo, março 28, 2010
quinta-feira, dezembro 03, 2009
BATE BATE no Borisov
Já se sabe que, nisto do futebol, se passa rapidamente da tristeza à euforia, ou de bestial a besta. Este ano já vi várias faces do Benfica e de jogadores do Benfica. A vitória contra o BATE Borisov teve o condão de me devolver a ilusão e a excitação, que o empate contra o Sporting me tinha roubado (como disse o Jesualdo Ferreira, fica fulo, doido quando vejo perder bolas logo na saída para o ataque).
Justifica-se por isso que, a calmo, faça a seguinte síntese: este ano, o Benfica já fez mais jogos "à Porto" (isto é, com personalidade, domínio e segurança) do que no total dos últimos 10 anos (talvez a época do Koeman tenha tido momentos destes, também). E nos dias que correm, dizer que o Benfica joga "à Porto" é um dos maiores elogios que se pode fazer, por mais que custe dizê-lo.
Neste sentido, talvez um dos aspectos mais interessantes é ver que alguns dos habituais suplentes, quando chamados à acção, se adaptam tão bem e tão rapidamente, com sucesso para a equipa (por exemplo, Coentrão e Menezes no jogo com o BATE). Claro que isto representa um problema para o Jorge Jesus: Coentrão ou Di Maria? Aimar sempre titular? Cardozo, em baixo, continua? Bom, bom é eu não estar preocupado com isto: já percebi que aqui há dedo do treinador, por isso confio nele. E, em retrospectiva, se calhar a prudência com que o Benfica jogou em Alvalade foi a abordagem ideal. Veremos...
Justifica-se por isso que, a calmo, faça a seguinte síntese: este ano, o Benfica já fez mais jogos "à Porto" (isto é, com personalidade, domínio e segurança) do que no total dos últimos 10 anos (talvez a época do Koeman tenha tido momentos destes, também). E nos dias que correm, dizer que o Benfica joga "à Porto" é um dos maiores elogios que se pode fazer, por mais que custe dizê-lo.
Neste sentido, talvez um dos aspectos mais interessantes é ver que alguns dos habituais suplentes, quando chamados à acção, se adaptam tão bem e tão rapidamente, com sucesso para a equipa (por exemplo, Coentrão e Menezes no jogo com o BATE). Claro que isto representa um problema para o Jorge Jesus: Coentrão ou Di Maria? Aimar sempre titular? Cardozo, em baixo, continua? Bom, bom é eu não estar preocupado com isto: já percebi que aqui há dedo do treinador, por isso confio nele. E, em retrospectiva, se calhar a prudência com que o Benfica jogou em Alvalade foi a abordagem ideal. Veremos...
quinta-feira, novembro 26, 2009
Sporting-Benfica II: Golpe de génio

É (como é que eu hei-de dizer?) sabido - mito urbano!!! - que a equipa em pior condição antes do derby acaba por ganhá-lo. Pois, no último fim de semana sucederam alguns factos que, pela sua estranheza, chamaram a minha atenção, mas que finalmente fazem sentido. O Sporting ganhou aos Pescadores da Costa da Caparica: bom, muito bom, excelente para quem é benfiquista. O Sporting está "bem". Já o Benfica perdeu: também bom, muito bom, excelente para quem é benfiquista. O Benfica está "mal". Daqui decorre naturalmente que o Benfica ganhará ao Sporting no Sábado. Viva!!
A minha dúvida reside, contudo, na derrota do Benfica contra o Guimarães. Como foi possível? Julgo que é consensual que, por mais que os jogadores do Benfica tentassem, a sua qualidade é tão grande que jamais conseguiriam perder com o Vitória. Até que descobri:
Na verdade, quem esteve em campo na Luz foram os jogadores do Mafra, enquanto os jogadores do Benfica estiveram em Mafra (onde eliminaram o União da Madeira da Taça). O disfarce foi simples: usar máscaras anti-Gripe A. O problema foi o treinador. Disfarcem-no o que quiser, mas o homem é o Jorge Jesus [ver foto acima]. Um golpe de génio!!
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