E agora, o óbvio. A minha escolha para o 11 e para os 23. Critério: aquela que seria a minha equipa para o Mundial se pudesse escolher agora com base no que vi. Além disso, é obrigatório uma equipa equilibrada. Não valem 3 pontas de lança ou 4 médios-centro ofensivos.
1 - Casillas (ESP) Sup: Neuer (ALE), Eduardo (POR)
2 - Maicon (BRA) Sup: Ramos (ESP)
3 - Pique (ESP) Sup: Tanaka (JAP)
4 - Lucio (BRA) Sup: Juan (BRA)
5 - Coentrão (POR) Sup: Lahm (ALE)
6 - Perez (URU) Sup: Khedira (ALE)
7 - Robben (HOL) Sup: Muller (ALE)
8 - Xavi (ESP) Sup: Schweinsteiger (ALE)
9 - Villa (ESP) Sup: Suarez (URU)
10 - Messi (ARG) Sup: Iniesta (ESP)
11 - Forlan (URU) Sup: Sneijder (HOL)
hesito em vários dos alemães (não sei porquê não vejo quase nada no Muller). Houve jogadores de meio campo que me impressionaram em selecções menos cotadas, mas o colectivo alemão aconselheria uma convocação em massa, então preferi jogar pelo seguro. A Holanda valeu pelo Sneijder, que merecia ser titular nesta equipa, mas o Messi caiu às mãos do Maradona e eu não quero ser parte da fraude que foia a selecção argentina. Achei que o Messi estava em forma e que com o núcleo do "Inter de Mourinho" iriam longe.
É aliás a minha grande pena: queria muito ver Espanha/Brasil ou Espanha/Argentina durante o Mundial. Fica essa lacuna na glória espanhola e no meu balanço deste intenso e sofisticado Mundial.
Este blog é um espaço de opinião sobre o futebol de hoje e sobre algumas memórias do futebol que vimos e vivemos. O título evoca um programa desportivo de rádio que durante anos foi emitido na Antena 1, às 6ªas à noite. Os ouvintes ligavam e diziam que era um prazer falar no "livre indirecto", era "matemático".
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segunda-feira, julho 12, 2010
domingo, julho 11, 2010
O Polvo
1 - Estou satisfeito com a vitória de Espanha. Quando as coisas fazem sentido e é possível atribuir-lhes um sentido de justiça fica tudo muito mais fácil. Quão mais simples seria a vida se fosse sempre assim, Olé!
2 - O passe decisivo foi do Jesus Navas (afinal foi do Fabregas, mas pouco importa para o caso). Qualquer dia elaboro no assunto Navas, mas só quero dizer agora que há 1 ano este miúdo sofria de uma fobia que o impedia de estar fora de casa mais de 2 dias seguidos. Depois de muito sofrimento provou a todos que tudo é possível. Parabéns Jesus!
3 - Portugal não perdeu só contra o campeão do Mundo, perdeu a capacidade de nos fazer sonhar. "Estamos nós no deserto e o Porto aqui tão perto". A vitória de Espanha também foi a vitória de uma crença - eu bem sei, que acompanho esta "estória" desde há muito.
4 - Ó polvo Paul, onde é que estiveste a minha vida toda?
Em suma, o meu lema para este Mundial: Os spin doctors desta vez não ganharam!!! Quando o mérito é reconhecido e as nossas convicções são confirmadas é maravilhoso. O profissionalismo venceu a demagogia e a incompetência.
A minha grande pena: queria muito ver um Espanha/Brasil ou um Espanha/Argentina nas meias-finais ou final do Mundial. Mas com uma Argentina treinada a sério e com os seus melhores jogadores (Zanetti, CAmbiasso, Luch). Fica essa "dúvida" no domínio espanhol e no meu balanço deste hiper-advanced Mundial.
2 - O passe decisivo foi do Jesus Navas (afinal foi do Fabregas, mas pouco importa para o caso). Qualquer dia elaboro no assunto Navas, mas só quero dizer agora que há 1 ano este miúdo sofria de uma fobia que o impedia de estar fora de casa mais de 2 dias seguidos. Depois de muito sofrimento provou a todos que tudo é possível. Parabéns Jesus!
3 - Portugal não perdeu só contra o campeão do Mundo, perdeu a capacidade de nos fazer sonhar. "Estamos nós no deserto e o Porto aqui tão perto". A vitória de Espanha também foi a vitória de uma crença - eu bem sei, que acompanho esta "estória" desde há muito.
4 - Ó polvo Paul, onde é que estiveste a minha vida toda?
Em suma, o meu lema para este Mundial: Os spin doctors desta vez não ganharam!!! Quando o mérito é reconhecido e as nossas convicções são confirmadas é maravilhoso. O profissionalismo venceu a demagogia e a incompetência.
A minha grande pena: queria muito ver um Espanha/Brasil ou um Espanha/Argentina nas meias-finais ou final do Mundial. Mas com uma Argentina treinada a sério e com os seus melhores jogadores (Zanetti, CAmbiasso, Luch). Fica essa "dúvida" no domínio espanhol e no meu balanço deste hiper-advanced Mundial.
terça-feira, junho 29, 2010
Desabafos e confissões de um traidor
1 - A atitude dos jogadores de Portugal (ex-Eduardo) no final do jogo com a Espanha confirmam o óbvio: o ambiente na selecção não era bom, não era de confiança e denotava ausência de liderança. Triste, triste é perceber que enquanto o Queiroz for seleccionador vamos ser os medianos do costume. Mau, mau vai ser quando os desabafos começarem...
2 - Ao contrário de 2006, vivi este Mundial de Portugal sem emoção, sem intensidade, sem esperança. Nem sequer sofri hoje. Quando me lembro de 2006... Confesso, por isso, (atenção José Carlos... apanhaste-me) que os meus últimos posts foram apenas uma forma de "penar" o sentimento de traição à pátria que me assolou.
3 - Penso que a razão desta minha ausência emocional foi o discurso acusador e provocador do Queiroz desde o primeiro dia (da qualificação), que me alienou completamente. Sim, o Scolari é melhor que tu!!!!! Sim, quem pensa assim não é "menos português" que os outros.
4 - O que é que foi aquela cuspidela do Ronaldo em direcção à câmera de TV no final do jogo?
Venham os quartos e que haja futebol!
PS: É verdade, o golo de Espanha é FORA DE JOGO, não é?
2 - Ao contrário de 2006, vivi este Mundial de Portugal sem emoção, sem intensidade, sem esperança. Nem sequer sofri hoje. Quando me lembro de 2006... Confesso, por isso, (atenção José Carlos... apanhaste-me) que os meus últimos posts foram apenas uma forma de "penar" o sentimento de traição à pátria que me assolou.
3 - Penso que a razão desta minha ausência emocional foi o discurso acusador e provocador do Queiroz desde o primeiro dia (da qualificação), que me alienou completamente. Sim, o Scolari é melhor que tu!!!!! Sim, quem pensa assim não é "menos português" que os outros.
4 - O que é que foi aquela cuspidela do Ronaldo em direcção à câmera de TV no final do jogo?
Venham os quartos e que haja futebol!
PS: É verdade, o golo de Espanha é FORA DE JOGO, não é?
sexta-feira, junho 25, 2010
Mestre Queiroz e os 11 cínicos.
Achei muito interessante que o Carlos Queiroz tenha abordado este jogo com o Brasil como se fosse um jogo da ronda eliminatória (oportunidade e adversário ideais): apenas um ala ofensivo, adaptar a equipa aos pontes fracos/fortes do adversário (Duda/Coentrão no lado esquerdo, defender o lado direito com um central) e jogar com o CR, sozinho, a ponta de lança. Além disso, teve ainda a lucidez para ensaiar algumas variações ofensivas já na segunda parte.
Fiquei espantado com a capacidade física que revelámos na segunda parte. A julgar pela saúde física que Portugal mostrou, acho que é legitimo supor que Portugal vai jogar desta forma nos jogos a eliminar e que pode ganhar esses jogos com base neste sistema aparentemente defensivo e desinteressante. Faltará o milagre (o golo da diferença), mas Portugal é das selecções mais bem servidas neste domínio: tirando Argentina e talvez Espanha, quem mais? Foi assim noutros mundiais, será assim neste. De facto, os jogos a eliminar são especiais e já percebemos que o CR sozinho pode ser suficiente.
Agora que a Itália está fora, Portugal pode assumir o papel de selecção cínica. E ganhar! Quem diria: no mesmo ano, Benfica campeão nacional e Portugal campeão mundial. Acho que nunca tinha acontecido...
Fiquei espantado com a capacidade física que revelámos na segunda parte. A julgar pela saúde física que Portugal mostrou, acho que é legitimo supor que Portugal vai jogar desta forma nos jogos a eliminar e que pode ganhar esses jogos com base neste sistema aparentemente defensivo e desinteressante. Faltará o milagre (o golo da diferença), mas Portugal é das selecções mais bem servidas neste domínio: tirando Argentina e talvez Espanha, quem mais? Foi assim noutros mundiais, será assim neste. De facto, os jogos a eliminar são especiais e já percebemos que o CR sozinho pode ser suficiente.
Agora que a Itália está fora, Portugal pode assumir o papel de selecção cínica. E ganhar! Quem diria: no mesmo ano, Benfica campeão nacional e Portugal campeão mundial. Acho que nunca tinha acontecido...
quinta-feira, junho 24, 2010
Stars and stripes e lista de semi-finalistas
1 - Ontem confirmei que ainda tenho reservada uma parte relevante do meu coração aos good old U. S. of A. O meu sofrimento e os meus festejos, se públicos, não teriam passado sem reprovação (pelo contrário, quando assistia ao Europeu de 1996 nos EUA e vi o Portugal - Rep. Checa num pub inglês, dei por mim a sofrer sozinho, sem a simpatia ou interesse de ninguém: deprimente...).
2 - Depois de ontem à noite constatei que um dos países da meia final sairá da embaraçosa lista: Uruguai-Gana-Coreia do Sul-EUA. Por outro lado, outro semi-finalista sairá da luxuosa lista: Inglaterra-Alemanha-Argentina-México. Esta coisa dos sorteios prévios tem disto. Se calhar não era má ideia reescalonar as equipas depois da primeira fase, definir cabeças de série e fazer sorteio. Ughhh. Nem pensar.
2 - Depois de ontem à noite constatei que um dos países da meia final sairá da embaraçosa lista: Uruguai-Gana-Coreia do Sul-EUA. Por outro lado, outro semi-finalista sairá da luxuosa lista: Inglaterra-Alemanha-Argentina-México. Esta coisa dos sorteios prévios tem disto. Se calhar não era má ideia reescalonar as equipas depois da primeira fase, definir cabeças de série e fazer sorteio. Ughhh. Nem pensar.
segunda-feira, junho 21, 2010
Sensacional...
Depois de miserável... sensacional. Continuando a "filosofia barata" poderia dizer "a vida é como os interruptores, um dia estão para cima, noutro dia estão para baixo".
Mais a sério, pode dizer-se que a lesão de Deco foi realmente providencial. Queiroz libertou-se desse "atraso" e Portugal soltou-se totalmente. Raul Meireles, no seu estilo anti-vedeta, teve força e liberdade para desequilibrar a defesa da Coreia e Ricardo Carvalho foi igualmente importante nesse papel.
A dinâmica foi outra (muito bem Tiago!) e Portugal assumiu finalmente o papel de favorito, ainda bem. Há dias assim, em que tudo parece sair bem, mas é preciso trabalhar muito para ter essa sorte, não tenho dúvidas.
Duas ou três notas mais:
- A relva deste estádio era muito melhor que no primeiro jogo, o relvado aqui não atrapalhou, apesar da chuva;
- Extraordinária a imagem do golo de Ronaldo, com a bola a bater-lhe por trás das costas e a surgir milagrosamente para o seu pé direito... "enguiço quebrado", menos uma nuvem no horizonte;
- Liedson entrou muito bem, apesar de os Coreanos já estarem "esfrangalhados" nessa altura. A verdade é que marcou um e "ofereceu" outro a Ronaldo, com aquele espírito de luta por todas a bolas que o caracteriza. Boa gestão do plantel por Queiroz.
- Ronaldo devia evitar fazer um "bonito" por cada passe que faz (nem que seja um passe de apenas 2 metros!), há momentos em que isso se torna ridículo. Mas mereceu o golo, por tudo o que fez e pelo esforço desenvolvido.
Mais a sério, pode dizer-se que a lesão de Deco foi realmente providencial. Queiroz libertou-se desse "atraso" e Portugal soltou-se totalmente. Raul Meireles, no seu estilo anti-vedeta, teve força e liberdade para desequilibrar a defesa da Coreia e Ricardo Carvalho foi igualmente importante nesse papel.
A dinâmica foi outra (muito bem Tiago!) e Portugal assumiu finalmente o papel de favorito, ainda bem. Há dias assim, em que tudo parece sair bem, mas é preciso trabalhar muito para ter essa sorte, não tenho dúvidas.
Duas ou três notas mais:
- A relva deste estádio era muito melhor que no primeiro jogo, o relvado aqui não atrapalhou, apesar da chuva;
- Extraordinária a imagem do golo de Ronaldo, com a bola a bater-lhe por trás das costas e a surgir milagrosamente para o seu pé direito... "enguiço quebrado", menos uma nuvem no horizonte;
- Liedson entrou muito bem, apesar de os Coreanos já estarem "esfrangalhados" nessa altura. A verdade é que marcou um e "ofereceu" outro a Ronaldo, com aquele espírito de luta por todas a bolas que o caracteriza. Boa gestão do plantel por Queiroz.
- Ronaldo devia evitar fazer um "bonito" por cada passe que faz (nem que seja um passe de apenas 2 metros!), há momentos em que isso se torna ridículo. Mas mereceu o golo, por tudo o que fez e pelo esforço desenvolvido.
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Portugal - 7 Coreia do Norte - 0
É bem nossa esta mudança de sentimento: ontem uns tristes e patéticos derrotados, hoje campeões do mundo anunciados. É estúpido, mas difícil de evitar.
De resto, quem acredita que o futebol é uma mistura apaixonante de aleatoriedade e ciência pura, já terá visto que na sequência de jogos até às meias-finas Portugal deverá ter dois adversários a sair de entre este grupo de selecções: Chile, Suiça, Dinamarca e Paraguai. Ou seja: o mínimo (O MÍNIMO, Queiroz!!) é chegar às meias-finais. I'm on board!
PS: bom, afinal parece que o Saltillo era ao lado. O Le Saltille francês. Mas nem a Bruni lhes vale?!!!
De resto, quem acredita que o futebol é uma mistura apaixonante de aleatoriedade e ciência pura, já terá visto que na sequência de jogos até às meias-finas Portugal deverá ter dois adversários a sair de entre este grupo de selecções: Chile, Suiça, Dinamarca e Paraguai. Ou seja: o mínimo (O MÍNIMO, Queiroz!!) é chegar às meias-finais. I'm on board!
PS: bom, afinal parece que o Saltillo era ao lado. O Le Saltille francês. Mas nem a Bruni lhes vale?!!!
quarta-feira, junho 16, 2010
Saltillo 2 ?
Sobre o jogo de Portugal, estamos de acordo que foi de qualidade medíocre: talvez em linha com as exibições de 2002 e (alerta: fantasma Scolari) claramente abaixo dos desempenhos de 2004, 2006 e 2008. Na prática creio até que devíamos ser algo condescendentes e reconhecer que a Costa do Marfim é um adversário difícil e que o comportamento da selecção nacional nos últimos anos foi a excepção que confirma a regra.
Contudo, deixaram-me particularmente tocado as declarações dos jogadores portugueses após o jogo. As críticas sobre a falta de ambição e de clareza táctica foram invulgares e contrastaram abertamente com os comentários habituais de ocasião ou de estímulo.
Acho que isto não é irrelevante e ainda que não goste de alinhar na crítica fácil ao Queiroz, tenho que reconhecer que o comportamento dos jogadores no final da partida tresanda a falta de liderança e, quem sabe, prenuncia problemas maiores do que o empate com a Costa do Marfim. Esteve sempre escrito, não esteve?
Contudo, deixaram-me particularmente tocado as declarações dos jogadores portugueses após o jogo. As críticas sobre a falta de ambição e de clareza táctica foram invulgares e contrastaram abertamente com os comentários habituais de ocasião ou de estímulo.
Acho que isto não é irrelevante e ainda que não goste de alinhar na crítica fácil ao Queiroz, tenho que reconhecer que o comportamento dos jogadores no final da partida tresanda a falta de liderança e, quem sabe, prenuncia problemas maiores do que o empate com a Costa do Marfim. Esteve sempre escrito, não esteve?
terça-feira, junho 15, 2010
Miserável... a estreia de Portugal
Sinceramente não me recordo de uma exibição tão fraca, tão pobre, tão descolorida da selecção... pensando bem... talvez os últimos jogos da "era Queirós" tenham vindo a ser todos assim...
Não houve qualidade técnica, seriedade, categoria, nada!
Cristiano Ronaldo é mesmo bom (embora alguns portugueses invejosos pensem que não...), mas, por favor, alguém lhe diga para ele pensar que não há câmaras de TV, nem "man of the match", nem estatísticas, nem "posteridade", nem Nike, nem toques ridículos... se ele interiorizar isso talvez fique mais tranquilo e jogue o que sabe.
Alguém diga ao Queirós que Deco ... já era! e que Liedson não é mesmo deste filme!
Para já é o que me ocorre. A coisa vai mal... como dizia o Luís, um longo zumbido que eu classifico de ...ridículo, além do mais.
É interessante a Vuvuzela, uma corneta enervante "inventada" há menos de 10 anos ser uma "tradição africana" na qual não se pode tocar. Grande negócio, é o que é.
Não houve qualidade técnica, seriedade, categoria, nada!
Cristiano Ronaldo é mesmo bom (embora alguns portugueses invejosos pensem que não...), mas, por favor, alguém lhe diga para ele pensar que não há câmaras de TV, nem "man of the match", nem estatísticas, nem "posteridade", nem Nike, nem toques ridículos... se ele interiorizar isso talvez fique mais tranquilo e jogue o que sabe.
Alguém diga ao Queirós que Deco ... já era! e que Liedson não é mesmo deste filme!
Para já é o que me ocorre. A coisa vai mal... como dizia o Luís, um longo zumbido que eu classifico de ...ridículo, além do mais.
É interessante a Vuvuzela, uma corneta enervante "inventada" há menos de 10 anos ser uma "tradição africana" na qual não se pode tocar. Grande negócio, é o que é.
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segunda-feira, junho 14, 2010
Vuvuzela
No princípio procurei ser condescendente; agora já sabemos que o Mundial será um evento sem sons, sem momentos, sem bruás, sem contestações ao árbitro e sem emoção: só um longo zumbido. Maravilhoso...
terça-feira, novembro 24, 2009
O "bósnio Salihamidzic"
Fiquei chocado com o tratamento depreciativo dado pela imprensa nacional à "Bósnia" - país, instituições, povo, selecção. Com o habitual intróito, "sem-qualquer-ponta-de-chauvinismo", lá fomos denegrindo uma nação, que só agora emerge das cinzas, que vive ainda atormentada pelo risco eminente de explosão de minas (vide "Michael Palin: a nova Europa) e cuja posição (bem funda) nos rankings de desenvolvimento económico e social deveria ser suficiente para conter a nossa vontade/necessidade de enxovalhar o adversário, independentemente do comportamento de alguns energúmenos.
Infelizmente, esta tem sido a tradição recente no nosso país: um xenofobismo mediático, que é rechaçado pelo cidadão comum, mas que vai fazendo mossa e percorrendo caminho.
Gostava do tempo em que, tal como se dizia num fôlego só - "Estádio de São Luis em Faro" -, se dizia com gosto: "o bósnio Salihamidzic". Espero que este cuidado com os mais fracos não desapareça - o reencontro em condições de paridade está só a uns anos de distância.
Infelizmente, esta tem sido a tradição recente no nosso país: um xenofobismo mediático, que é rechaçado pelo cidadão comum, mas que vai fazendo mossa e percorrendo caminho.
Gostava do tempo em que, tal como se dizia num fôlego só - "Estádio de São Luis em Faro" -, se dizia com gosto: "o bósnio Salihamidzic". Espero que este cuidado com os mais fracos não desapareça - o reencontro em condições de paridade está só a uns anos de distância.
quinta-feira, novembro 19, 2009
O Henry e nós
Não comungo da opinião de um governante que afirmou - como forma de realçar a ida de Portugal ao Mundial 2010 - que são raros os rankings em que Portugal está nos 30 primeiros do Mundo. Estou certo que isso não é verdade. Por exemplo, em termos de rendimento per capita e do índice de desenvolvimento humano estamos certamente no top 30, logo...
Seja como for, seria estúpido desvalorizar este feito. Sempre foi difícil o apuramento para o Mundial e a terceira presença consecutiva faz de Portugal um Grande. Já não é apenas uma geração; é um país. Não sejamos modestos. Resmungões, sim; mas nunca ignorantes dos feitos que temos conseguido no futebol e noutras áreas.
E melhor que tudo: vamos de cabeça bem erguida ao Mundial. Perguntem aos franceses se pensam o mesmo. Como foi possível?? Não me sai da cabeça. Mas gostei de ver o Henry sentado na relva a consolar um adversário no final do jogo. Como vai ser agora?
Seja como for, seria estúpido desvalorizar este feito. Sempre foi difícil o apuramento para o Mundial e a terceira presença consecutiva faz de Portugal um Grande. Já não é apenas uma geração; é um país. Não sejamos modestos. Resmungões, sim; mas nunca ignorantes dos feitos que temos conseguido no futebol e noutras áreas.
E melhor que tudo: vamos de cabeça bem erguida ao Mundial. Perguntem aos franceses se pensam o mesmo. Como foi possível?? Não me sai da cabeça. Mas gostei de ver o Henry sentado na relva a consolar um adversário no final do jogo. Como vai ser agora?
terça-feira, outubro 20, 2009
Ventspils e outros comprimidos
A Antena 1 tem estado a passar um spot que anuncia que o "Sporting se desloca aos Países-Baixos, para defrontar os holandeses do Ventspils". Em primeiro lugar note-se a preocupação do spot em reconhecer que está a falar para ignorantes, descodificando o conceito de Países-Baixos (embora, claro, haja a hipótese do jogo ser em campo neutro e os holandeses também terem de se deslocar aos ditos Países-Baixos). Como sempre, não há maior ignorante do que aquele que assume uma esperteza superior.
Mas mais interessante, claro, é chamar holandeses aos letões. Quem escreve estas coisas? Quem está encarregue de evitar estas anormalidades? Mas não faz mal, leitões, holandeses, baixos, altos, bósnios... fica tudo para lá.
Isto leva-me à homenagem que quero fazer ao artigo do Ricardo Araújo Pereira - o Gato mais Fedorento -, publicado na Bola de sábado, dia 17 (o meu país é o Benfica). Partilho completamente do argumento - o prazer que me deu ver o Aimar a jogar pela Argentina - e confesso que trocaria 100 títulos de Portugal, por uma Liga dos Campeões para o Benfica. Embora pior, muito pior, seja fingir que "gosto que as equipas portuguesas ganhem quando jogam com os estrangeiros" (força holandeses do Ventspils). Quando o Costinha marcou aquele maldito golo ao Man. United estava num evento público e patriota: se querem saber o que é engolir o próprio vómito, ainda por cima com um sorriso na face...
É claro que gosto que Portugal ganhe e alguns dos momentos mais eufóricos que vivi com o futebol foram graças à selecção. Não me posso esquecer daquelas tardes já longínquas no Jamor a ver as jovens promessas - JVP ou Figo -, os mundiais de juniores com o Queiroz, ou mais recentemente as caminhadas no Euro 2004 e no Mundial 2006. Mas por vezes hesito se não preferia uma cobertura menos histérica e mais racional do Mundial 2010, ainda que isso signifique ver a Bósnia na África do Sul.
Mas mais interessante, claro, é chamar holandeses aos letões. Quem escreve estas coisas? Quem está encarregue de evitar estas anormalidades? Mas não faz mal, leitões, holandeses, baixos, altos, bósnios... fica tudo para lá.
Isto leva-me à homenagem que quero fazer ao artigo do Ricardo Araújo Pereira - o Gato mais Fedorento -, publicado na Bola de sábado, dia 17 (o meu país é o Benfica). Partilho completamente do argumento - o prazer que me deu ver o Aimar a jogar pela Argentina - e confesso que trocaria 100 títulos de Portugal, por uma Liga dos Campeões para o Benfica. Embora pior, muito pior, seja fingir que "gosto que as equipas portuguesas ganhem quando jogam com os estrangeiros" (força holandeses do Ventspils). Quando o Costinha marcou aquele maldito golo ao Man. United estava num evento público e patriota: se querem saber o que é engolir o próprio vómito, ainda por cima com um sorriso na face...
É claro que gosto que Portugal ganhe e alguns dos momentos mais eufóricos que vivi com o futebol foram graças à selecção. Não me posso esquecer daquelas tardes já longínquas no Jamor a ver as jovens promessas - JVP ou Figo -, os mundiais de juniores com o Queiroz, ou mais recentemente as caminhadas no Euro 2004 e no Mundial 2006. Mas por vezes hesito se não preferia uma cobertura menos histérica e mais racional do Mundial 2010, ainda que isso signifique ver a Bósnia na África do Sul.
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