Pessoalmente, o final de 2009 ficou marcado pelo regresso à realidade do Sporting: a filosofia "os outros que paguem a crisem" nunca falha. Tal como já tinha sugerido noutro post, o Sporting precisava de voltar à realidade. Isto é, gastar: milhões para ali, milhões para acolá; tudo em grande, a caminho do abismo.
Claro que o abismo é dos outros: aqueles que não são "demasiado grandes para se deixar falir". Quando a conta chegar, bastam dois ou três telefonemas certos (vocês sabem do que estou a falar) e os outros (contribuintes, pequenos accionistas , consumidores de electricidade ou de telefone...) que paguem a crise. O Benfica já tinha percebido; o Sporting também parece estar a perceber.
Contudo, o mais grave disto tudo é a constatação de que as SAD's de futebol não estão desenhadas para estimular a responsabilidade, a seriedade, o médio-prazo: que mecanismos de controle sérios existem? A que regras de "accountability" estão os administradores sujeitos? Nenhumas... são todos traidores potenciais do futuro dos clubes. E como nenhum quer ficar com a fava, toca de fugir em frente. Uma vergonha, que vai acabar mal, porque um dia esses telefonemas não vão pegar. Seja porque a dívida pública é insustentável, seja porque as "empresas do regime" não vão aguentar mais a pressão, seja porque os contribuintes e accionistas ficarão fartos. É inevitável, mas os portugueses já demonstraram que podem esperar. Em suma, faz muito bem o Sporting.
Outras reflexões sobre o final de ano em grande do Sporting (e do Benfica, claro):
1) O Sporting vai ter retorno zero destas aventuras. Tarde de mais para salvar a época. Qual é o plano do Sporting?
2) O que pensa Paulo Bento disto?
3) E no final do ano, quando o FCPorto se sagrar novamente campeão, com que cara é que vamos ouvir o Pinto da Costa?
Que viva 2010!!
Este blog é um espaço de opinião sobre o futebol de hoje e sobre algumas memórias do futebol que vimos e vivemos. O título evoca um programa desportivo de rádio que durante anos foi emitido na Antena 1, às 6ªas à noite. Os ouvintes ligavam e diziam que era um prazer falar no "livre indirecto", era "matemático".
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sexta-feira, janeiro 01, 2010
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Mais uma vitória de Jesus
"Fair-Play é uma treta": esta é uma das frases de marca de Jorge Jesus. "Fair-Play é uma treta" deve ser também o que está a pensar o Helton. A tentação do guarda-redes do FC Porto de ir ver se Maxi Pereira (sentado em cima da linha de golo) estava bem transformou a intercepção fácil de um "balão" para o Saviola no golo e na vitória do Benfica. É pena que a entrega e o esforço dos jogadores do Benfica, certamente merecedores da vitória, tenha tido tradução em golo apenas neste lance tão "injusto" para o Helton. Como dizem os americanos: "no good deed goes unpunished".
Três notas mais:
1 - Sempre que o Porto joga na Luz ou em Alvalade exibe uma confiança, uma agressividade e uma intensidade que são invejáveis e que só estão ao alcance de um campeão perene e de uma equipa com enorme experiência europeia. Que o Benfica tenha superado - e esteja a superar - o Porto também nestes capítulos quer dizer muito; muito mesmo. Não digo mais nada, mas creio que os rivais do Benfica me perceberão muito bem.
2 - O Lucílio Baptista há muito que deixou de ser um árbitro de topo em termos de discernimento e bom senso. Não há desculpa para não ver a mão do Rodriguez; simplesmente inaceitável.
3 - O Benfica tem um plantel vastíssimo: ir buscar às profundezas da lista de convocatórias jogadores como o C. Martins e Urreta; recorrer ao Weldon e ao Menezes; usar o C. Peixoto a defesa esquerdo; e ainda deixar de fora o Nuno Gomes, Keirrison, Shaeffer, Sidnei, Aimar, Coentrão, Amorim, Di Maria... é incrível. Talvez o FC Porto se possa gabar do mesmo. Mas para além disso, só mesmo o Real Madrid e o Inter. De resto, o Barcelona tem (para o ataque e meio-campo) um banco de jovens promessas, tal como qualquer equipa inglesa ou italiana de topo. Enfim, este Benfica é um luxo. Isto vai estourar, mas até lá vai ser bom: no fundo parece ser o lema económico dos nossos dias.
Três notas mais:
1 - Sempre que o Porto joga na Luz ou em Alvalade exibe uma confiança, uma agressividade e uma intensidade que são invejáveis e que só estão ao alcance de um campeão perene e de uma equipa com enorme experiência europeia. Que o Benfica tenha superado - e esteja a superar - o Porto também nestes capítulos quer dizer muito; muito mesmo. Não digo mais nada, mas creio que os rivais do Benfica me perceberão muito bem.
2 - O Lucílio Baptista há muito que deixou de ser um árbitro de topo em termos de discernimento e bom senso. Não há desculpa para não ver a mão do Rodriguez; simplesmente inaceitável.
3 - O Benfica tem um plantel vastíssimo: ir buscar às profundezas da lista de convocatórias jogadores como o C. Martins e Urreta; recorrer ao Weldon e ao Menezes; usar o C. Peixoto a defesa esquerdo; e ainda deixar de fora o Nuno Gomes, Keirrison, Shaeffer, Sidnei, Aimar, Coentrão, Amorim, Di Maria... é incrível. Talvez o FC Porto se possa gabar do mesmo. Mas para além disso, só mesmo o Real Madrid e o Inter. De resto, o Barcelona tem (para o ataque e meio-campo) um banco de jovens promessas, tal como qualquer equipa inglesa ou italiana de topo. Enfim, este Benfica é um luxo. Isto vai estourar, mas até lá vai ser bom: no fundo parece ser o lema económico dos nossos dias.
domingo, novembro 22, 2009
Artigo 5º
Sobre o Oliveirense - Porto: mais uma triste figurinha que, incapaz de se enxergar, decidiu que "a lei era ele". Pior que tudo, ainda hoje não terá percebido que se limitou a comportar como uma marionete (por mais miserável que estivesse, de facto, o relvado). Sugiro que, a partir de agora, comportamentos lamentavelmente subservientes passem a ser designados de "artigo 5º". Pelo menos foi isso que me ensinaram.
sábado, setembro 26, 2009
"Jogar aos Centros"
Quando eu era miúdo uma das nossas brincadeiras preferidas era “jogar aos centros". Se não havia equipas, campo ou paciência para fazer um jogo “a sério” jogávamos “aos centros”.
Um de nós cruzava bola para a área e os restantes tentavam acertar na baliza, com a cabeça ou com os pés. O papel de massacrado guarda-redes ia rodando pois era o mais ingrato da cena.
Este fim-de-semana, boa parte da diferença dos resultados fez-se com os "centros".
No Porto-Sporting, logo aos dois minutos um belo cruzamento numa bola parada fez metade do serviço (Polga fez a outra parte...). E vários outros cruzamentos perigosos da direita e da esquerda foram criando enorme perigo na área do Sporting, especialmente na primeira parte.
Em contrapartida, no mesmo jogo, Grimi, Miguel Veloso, Postiga e Vukcevic tiveram vários cruzamentos verdadeiramente inadmissíveis para jogadores profissionais. O caso de Veloso é gritante; várias bolas paradas sobrevoaram a área de forma totalmente disparatada. Vai ter de ficar de castigo, depois de acabar o treino, a “jogar aos centros”!
Para terminar, no Estádio da Luz, os cruzamentos foram mais uma vez fundamentais para resolver o jogo. No primeiro golo, um belíssimo centro de Aimar, cheio de "veneno", no terceiro e no quinto, excelentes cruzamentos de César Peixoto.
Um de nós cruzava bola para a área e os restantes tentavam acertar na baliza, com a cabeça ou com os pés. O papel de massacrado guarda-redes ia rodando pois era o mais ingrato da cena.
Este fim-de-semana, boa parte da diferença dos resultados fez-se com os "centros".
No Porto-Sporting, logo aos dois minutos um belo cruzamento numa bola parada fez metade do serviço (Polga fez a outra parte...). E vários outros cruzamentos perigosos da direita e da esquerda foram criando enorme perigo na área do Sporting, especialmente na primeira parte.
Em contrapartida, no mesmo jogo, Grimi, Miguel Veloso, Postiga e Vukcevic tiveram vários cruzamentos verdadeiramente inadmissíveis para jogadores profissionais. O caso de Veloso é gritante; várias bolas paradas sobrevoaram a área de forma totalmente disparatada. Vai ter de ficar de castigo, depois de acabar o treino, a “jogar aos centros”!
Para terminar, no Estádio da Luz, os cruzamentos foram mais uma vez fundamentais para resolver o jogo. No primeiro golo, um belíssimo centro de Aimar, cheio de "veneno", no terceiro e no quinto, excelentes cruzamentos de César Peixoto.
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