"Fair-Play é uma treta": esta é uma das frases de marca de Jorge Jesus. "Fair-Play é uma treta" deve ser também o que está a pensar o Helton. A tentação do guarda-redes do FC Porto de ir ver se Maxi Pereira (sentado em cima da linha de golo) estava bem transformou a intercepção fácil de um "balão" para o Saviola no golo e na vitória do Benfica. É pena que a entrega e o esforço dos jogadores do Benfica, certamente merecedores da vitória, tenha tido tradução em golo apenas neste lance tão "injusto" para o Helton. Como dizem os americanos: "no good deed goes unpunished".
Três notas mais:
1 - Sempre que o Porto joga na Luz ou em Alvalade exibe uma confiança, uma agressividade e uma intensidade que são invejáveis e que só estão ao alcance de um campeão perene e de uma equipa com enorme experiência europeia. Que o Benfica tenha superado - e esteja a superar - o Porto também nestes capítulos quer dizer muito; muito mesmo. Não digo mais nada, mas creio que os rivais do Benfica me perceberão muito bem.
2 - O Lucílio Baptista há muito que deixou de ser um árbitro de topo em termos de discernimento e bom senso. Não há desculpa para não ver a mão do Rodriguez; simplesmente inaceitável.
3 - O Benfica tem um plantel vastíssimo: ir buscar às profundezas da lista de convocatórias jogadores como o C. Martins e Urreta; recorrer ao Weldon e ao Menezes; usar o C. Peixoto a defesa esquerdo; e ainda deixar de fora o Nuno Gomes, Keirrison, Shaeffer, Sidnei, Aimar, Coentrão, Amorim, Di Maria... é incrível. Talvez o FC Porto se possa gabar do mesmo. Mas para além disso, só mesmo o Real Madrid e o Inter. De resto, o Barcelona tem (para o ataque e meio-campo) um banco de jovens promessas, tal como qualquer equipa inglesa ou italiana de topo. Enfim, este Benfica é um luxo. Isto vai estourar, mas até lá vai ser bom: no fundo parece ser o lema económico dos nossos dias.
Este blog é um espaço de opinião sobre o futebol de hoje e sobre algumas memórias do futebol que vimos e vivemos. O título evoca um programa desportivo de rádio que durante anos foi emitido na Antena 1, às 6ªas à noite. Os ouvintes ligavam e diziam que era um prazer falar no "livre indirecto", era "matemático".
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
terça-feira, outubro 27, 2009
El Conejo Saviola
O ano passado fui a Espanha ver o Deportivo (Corunha) - Real Madrid: primeira jornada da Liga Espanhola, 2008/2009. Ganhou o Deportivo por 2-1, num jogo muito fraco do Real Madrid. O jogo ficou marcado pelas declarações do (então) treinador do Real Madrid, Bernd Schuster. Apesar do mau desempenho do R. Madrid, a verdade é que o treinador decidiu não fazer substituições de ataque, deixando no banco o único ponta-de-lança disponível nos suplentes: Javier Saviola. Quando lhe perguntaram porquê, Schuster disse: "Estava no banco; olhei para a minha direita não vi ninguém; olhei para a minha esquerda ninguém vi; preferi não mexer". Parece que depois disso, o Conejo Saviola se tornou um corpo estranho no clube, não voltando sequer a treinar em condições. Isto fez com que nunca mais jogasse (nem com o treinador Juande Ramos, que entretanto substituiu Schuster) e que perdesse mercado em Espanha. Com isto tudo, começo a acreditar que o Benfica sacou mesmo um coelho da cartola, com este Saviola.
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