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quinta-feira, dezembro 02, 2010

WC

A mim chateia-me o egoísmo de meia dúzia de pessoas que, para satisfazer o seu ego, a sua agenda e a carteira de uns poucos, decidiram ignorar princípios elementares de decência e de prudência para incluir Portugal numa candidatura à organização do Mundial 2018.

Mais uma daquelas decisões baseadas em 3 folhas de excel, marteladas e mastigadas, para juntar aos TGV, aos aeroportos e às asneiras do Euro 2004, e que nos embaraçam quando revemos a história.

Não compreendo estes devaneios e, parecendo que não, esta mania das grandezas consome, deixa marcas e impede que sejamos verdadeiramente criativos.
Obrigado FIFA.

PS: parece óbvio que a FIFA se dá melhor com regimes não-totalmente-democráticos. Acho que são um bom match.

terça-feira, setembro 07, 2010

Recomendações

1 - Excelente artigo no Jornal de Negócios (Chico-Espertice, Paulo Pinho; http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=442343) sobre o caso Queiroz. Neste país de jabulanis, ainda há vozes que não têm medo de assumir a verdade e pensar a direito. Parabéns ao Luis Freitas Lobo por ter feito o retrato perfeito do caso Queiroz na RTP-N: terá sido por isso que não comentou o jogo com o Chipre na RTP1? Quanto à alcateia dos cobardes, não tardaram a fingir que o processo ao Queiroz e os resultados da selecção eram uma e uma só coisa. Foi vê-los uivar: "não enganem o povo!". Agora...

2 - No Verão li o livro "Why England lose": não é um livro perfeito, mas para seguidores de futebol é uma delícia que se engole em dois tempos. Uma espécie de "freakonomics" do futebol. Mais um sinal de que à nossa volta há imensa coisa a acontecer. Infelizmente, Portugal decidiu parar (andam aqueles que têm coragem de sair: a propósito, muito boa a entrevista de Mourinho ao El Pais).

3 - Vi o filme "Damned United", baseado num (outro) livro que é amplamente citado no livro "Why England lose". É a história real da dupla Brian Clough & Peter Taylor, que levaram o modesto Derby County a um título inglês e a uma meia final da Taça dos Campeões e que levaram o "provinciano" Nottingham Forest a duas vitórias na Taça dos Campeões. O filme não apelará ao cidadão comum, mas embevecerá os apaixonados do futebol. Brian Clough & Peter Taylor são hoje identificados como a dupla que melhor e primeiro soube interpretar "cientificamente" o futebol e o mercado do futebol (detectar talento, comprar novo e vender velho), tal como hoje fazem Arsene Wenger e alguns outros poucos. O filme não explora esta faceta científica (para isso leiam o livro "Why England lose"), mas é bom na mesma.

Interessante que o actor que interpreta o Brian Clough distorce um pouco a sua imagem (de cachorrinho meio perdido), aproximando-a mais da imagem actual do Mourinho. Parece-me justo, tendo em conta que o filme foi feito em 2009 e há necessidade de "cativar" audiências jovens.

4 - Hop, hop, Norway! (para dizer a verdade gostava que Portugal ganhasse... para calar alguns. Mas temos uma equipa tão fraquinha... Mesmo assim, ainda não percebi por que razão é fundamental ganhar o jogo para ser apurado. Ou é só uma daquelas mentiras que se tornam verdade quando muita gente as repete? Parece-me que é isto, mais uma vez.)

terça-feira, junho 29, 2010

Desabafos e confissões de um traidor

1 - A atitude dos jogadores de Portugal (ex-Eduardo) no final do jogo com a Espanha confirmam o óbvio: o ambiente na selecção não era bom, não era de confiança e denotava ausência de liderança. Triste, triste é perceber que enquanto o Queiroz for seleccionador vamos ser os medianos do costume. Mau, mau vai ser quando os desabafos começarem...

2 - Ao contrário de 2006, vivi este Mundial de Portugal sem emoção, sem intensidade, sem esperança. Nem sequer sofri hoje. Quando me lembro de 2006... Confesso, por isso, (atenção José Carlos... apanhaste-me) que os meus últimos posts foram apenas uma forma de "penar" o sentimento de traição à pátria que me assolou.

3 - Penso que a razão desta minha ausência emocional foi o discurso acusador e provocador do Queiroz desde o primeiro dia (da qualificação), que me alienou completamente. Sim, o Scolari é melhor que tu!!!!! Sim, quem pensa assim não é "menos português" que os outros.

4 - O que é que foi aquela cuspidela do Ronaldo em direcção à câmera de TV no final do jogo?

Venham os quartos e que haja futebol!

PS: É verdade, o golo de Espanha é FORA DE JOGO, não é?

sexta-feira, junho 25, 2010

Mestre Queiroz e os 11 cínicos.

Achei muito interessante que o Carlos Queiroz tenha abordado este jogo com o Brasil como se fosse um jogo da ronda eliminatória (oportunidade e adversário ideais): apenas um ala ofensivo, adaptar a equipa aos pontes fracos/fortes do adversário (Duda/Coentrão no lado esquerdo, defender o lado direito com um central) e jogar com o CR, sozinho, a ponta de lança. Além disso, teve ainda a lucidez para ensaiar algumas variações ofensivas já na segunda parte.

Fiquei espantado com a capacidade física que revelámos na segunda parte. A julgar pela saúde física que Portugal mostrou, acho que é legitimo supor que Portugal vai jogar desta forma nos jogos a eliminar e que pode ganhar esses jogos com base neste sistema aparentemente defensivo e desinteressante. Faltará o milagre (o golo da diferença), mas Portugal é das selecções mais bem servidas neste domínio: tirando Argentina e talvez Espanha, quem mais? Foi assim noutros mundiais, será assim neste. De facto, os jogos a eliminar são especiais e já percebemos que o CR sozinho pode ser suficiente.

Agora que a Itália está fora, Portugal pode assumir o papel de selecção cínica. E ganhar! Quem diria: no mesmo ano, Benfica campeão nacional e Portugal campeão mundial. Acho que nunca tinha acontecido...

segunda-feira, junho 21, 2010

Portugal - 7 Coreia do Norte - 0

É bem nossa esta mudança de sentimento: ontem uns tristes e patéticos derrotados, hoje campeões do mundo anunciados. É estúpido, mas difícil de evitar.

De resto, quem acredita que o futebol é uma mistura apaixonante de aleatoriedade e ciência pura, já terá visto que na sequência de jogos até às meias-finas Portugal deverá ter dois adversários a sair de entre este grupo de selecções: Chile, Suiça, Dinamarca e Paraguai. Ou seja: o mínimo (O MÍNIMO, Queiroz!!) é chegar às meias-finais. I'm on board!

PS: bom, afinal parece que o Saltillo era ao lado. O Le Saltille francês. Mas nem a Bruni lhes vale?!!!

quarta-feira, junho 16, 2010

Saltillo 2 ?

Sobre o jogo de Portugal, estamos de acordo que foi de qualidade medíocre: talvez em linha com as exibições de 2002 e (alerta: fantasma Scolari) claramente abaixo dos desempenhos de 2004, 2006 e 2008. Na prática creio até que devíamos ser algo condescendentes e reconhecer que a Costa do Marfim é um adversário difícil e que o comportamento da selecção nacional nos últimos anos foi a excepção que confirma a regra.

Contudo, deixaram-me particularmente tocado as declarações dos jogadores portugueses após o jogo. As críticas sobre a falta de ambição e de clareza táctica foram invulgares e contrastaram abertamente com os comentários habituais de ocasião ou de estímulo.

Acho que isto não é irrelevante e ainda que não goste de alinhar na crítica fácil ao Queiroz, tenho que reconhecer que o comportamento dos jogadores no final da partida tresanda a falta de liderança e, quem sabe, prenuncia problemas maiores do que o empate com a Costa do Marfim. Esteve sempre escrito, não esteve?

terça-feira, novembro 24, 2009

O "bósnio Salihamidzic"

Fiquei chocado com o tratamento depreciativo dado pela imprensa nacional à "Bósnia" - país, instituições, povo, selecção. Com o habitual intróito, "sem-qualquer-ponta-de-chauvinismo", lá fomos denegrindo uma nação, que só agora emerge das cinzas, que vive ainda atormentada pelo risco eminente de explosão de minas (vide "Michael Palin: a nova Europa) e cuja posição (bem funda) nos rankings de desenvolvimento económico e social deveria ser suficiente para conter a nossa vontade/necessidade de enxovalhar o adversário, independentemente do comportamento de alguns energúmenos.

Infelizmente, esta tem sido a tradição recente no nosso país: um xenofobismo mediático, que é rechaçado pelo cidadão comum, mas que vai fazendo mossa e percorrendo caminho.

Gostava do tempo em que, tal como se dizia num fôlego só - "Estádio de São Luis em Faro" -, se dizia com gosto: "o bósnio Salihamidzic". Espero que este cuidado com os mais fracos não desapareça - o reencontro em condições de paridade está só a uns anos de distância.

quinta-feira, novembro 19, 2009

O Henry e nós

Não comungo da opinião de um governante que afirmou - como forma de realçar a ida de Portugal ao Mundial 2010 - que são raros os rankings em que Portugal está nos 30 primeiros do Mundo. Estou certo que isso não é verdade. Por exemplo, em termos de rendimento per capita e do índice de desenvolvimento humano estamos certamente no top 30, logo...

Seja como for, seria estúpido desvalorizar este feito. Sempre foi difícil o apuramento para o Mundial e a terceira presença consecutiva faz de Portugal um Grande. Já não é apenas uma geração; é um país. Não sejamos modestos. Resmungões, sim; mas nunca ignorantes dos feitos que temos conseguido no futebol e noutras áreas.

E melhor que tudo: vamos de cabeça bem erguida ao Mundial. Perguntem aos franceses se pensam o mesmo. Como foi possível?? Não me sai da cabeça. Mas gostei de ver o Henry sentado na relva a consolar um adversário no final do jogo. Como vai ser agora?

terça-feira, outubro 20, 2009

Ventspils e outros comprimidos

A Antena 1 tem estado a passar um spot que anuncia que o "Sporting se desloca aos Países-Baixos, para defrontar os holandeses do Ventspils". Em primeiro lugar note-se a preocupação do spot em reconhecer que está a falar para ignorantes, descodificando o conceito de Países-Baixos (embora, claro, haja a hipótese do jogo ser em campo neutro e os holandeses também terem de se deslocar aos ditos Países-Baixos). Como sempre, não há maior ignorante do que aquele que assume uma esperteza superior.
Mas mais interessante, claro, é chamar holandeses aos letões. Quem escreve estas coisas? Quem está encarregue de evitar estas anormalidades? Mas não faz mal, leitões, holandeses, baixos, altos, bósnios... fica tudo para lá.
Isto leva-me à homenagem que quero fazer ao artigo do Ricardo Araújo Pereira - o Gato mais Fedorento -, publicado na Bola de sábado, dia 17 (o meu país é o Benfica). Partilho completamente do argumento - o prazer que me deu ver o Aimar a jogar pela Argentina - e confesso que trocaria 100 títulos de Portugal, por uma Liga dos Campeões para o Benfica. Embora pior, muito pior, seja fingir que "gosto que as equipas portuguesas ganhem quando jogam com os estrangeiros" (força holandeses do Ventspils). Quando o Costinha marcou aquele maldito golo ao Man. United estava num evento público e patriota: se querem saber o que é engolir o próprio vómito, ainda por cima com um sorriso na face...
É claro que gosto que Portugal ganhe e alguns dos momentos mais eufóricos que vivi com o futebol foram graças à selecção. Não me posso esquecer daquelas tardes já longínquas no Jamor a ver as jovens promessas - JVP ou Figo -, os mundiais de juniores com o Queiroz, ou mais recentemente as caminhadas no Euro 2004 e no Mundial 2006. Mas por vezes hesito se não preferia uma cobertura menos histérica e mais racional do Mundial 2010, ainda que isso signifique ver a Bósnia na África do Sul.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Na terra dos magiares

Estava a ver o Hungria-Portugal de apuramento para o Mundial 2010 e lembrei-me da famosa frase do saudoso Bento, que no contexto de um Hungria-Portugal mais distante no tempo disse "não é por acaso que chamam magiares [aos jogadores da Hungria]". Já há muito que não há "magiares" na selecção húngara e o jogo de hoje foi escasso em magia. Sobrou o mágico Deco, com o livre que tirou da manga. Haverá ainda algum coelho na cartola?

terça-feira, setembro 08, 2009

Out of Africa

Em linha com a minha tese de que a forma da actual Selecção Nacional depende da forma do Deco, achei que Portugal tinha sérias hipóteses de ganhar na Dinamarca, tanto mais que o Tiago também está a jogar bem pela Juventus, o CR (perdoem-me) é sempre bom, etc, etc. O jogo confirmou as minhas expectativas, Portugal foi brilhante em alguns momentos, mas o Tomasson tinha razão: Portugal não tem pontas de lança e teve que ir buscar um ao Brasil. Até tenho encarado com muita serenidade o facto de Portugal estar a patinar no apuramento, para ver se compreendemos de vez o alcance da famosa frase do Scolari, de que "burro era ele". Mas depois do jogo da Dinamarca fiquei triste e convencido de que merecíamos melhor (melhor treinador, melhores guarda-redes, melhor classificação). Mas agora já é tarde: de fora, como nos bons velhos tempos. Apesar de tudo, vamos ganhar à Hungria.
Nota final: Como não podia deixar de ser prefiro o Liedson na selecção do que qualquer alternativa (qual?) 100% nacional. Mas sendo assim, para quando a naturalização de Javi Garcia ou do Peçanha? Será que isto das selecções nacionais ainda se justifica?