Mostrar mensagens com a etiqueta Selecção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Selecção. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, novembro 24, 2009

O "bósnio Salihamidzic"

Fiquei chocado com o tratamento depreciativo dado pela imprensa nacional à "Bósnia" - país, instituições, povo, selecção. Com o habitual intróito, "sem-qualquer-ponta-de-chauvinismo", lá fomos denegrindo uma nação, que só agora emerge das cinzas, que vive ainda atormentada pelo risco eminente de explosão de minas (vide "Michael Palin: a nova Europa) e cuja posição (bem funda) nos rankings de desenvolvimento económico e social deveria ser suficiente para conter a nossa vontade/necessidade de enxovalhar o adversário, independentemente do comportamento de alguns energúmenos.

Infelizmente, esta tem sido a tradição recente no nosso país: um xenofobismo mediático, que é rechaçado pelo cidadão comum, mas que vai fazendo mossa e percorrendo caminho.

Gostava do tempo em que, tal como se dizia num fôlego só - "Estádio de São Luis em Faro" -, se dizia com gosto: "o bósnio Salihamidzic". Espero que este cuidado com os mais fracos não desapareça - o reencontro em condições de paridade está só a uns anos de distância.

terça-feira, outubro 20, 2009

Ventspils e outros comprimidos

A Antena 1 tem estado a passar um spot que anuncia que o "Sporting se desloca aos Países-Baixos, para defrontar os holandeses do Ventspils". Em primeiro lugar note-se a preocupação do spot em reconhecer que está a falar para ignorantes, descodificando o conceito de Países-Baixos (embora, claro, haja a hipótese do jogo ser em campo neutro e os holandeses também terem de se deslocar aos ditos Países-Baixos). Como sempre, não há maior ignorante do que aquele que assume uma esperteza superior.
Mas mais interessante, claro, é chamar holandeses aos letões. Quem escreve estas coisas? Quem está encarregue de evitar estas anormalidades? Mas não faz mal, leitões, holandeses, baixos, altos, bósnios... fica tudo para lá.
Isto leva-me à homenagem que quero fazer ao artigo do Ricardo Araújo Pereira - o Gato mais Fedorento -, publicado na Bola de sábado, dia 17 (o meu país é o Benfica). Partilho completamente do argumento - o prazer que me deu ver o Aimar a jogar pela Argentina - e confesso que trocaria 100 títulos de Portugal, por uma Liga dos Campeões para o Benfica. Embora pior, muito pior, seja fingir que "gosto que as equipas portuguesas ganhem quando jogam com os estrangeiros" (força holandeses do Ventspils). Quando o Costinha marcou aquele maldito golo ao Man. United estava num evento público e patriota: se querem saber o que é engolir o próprio vómito, ainda por cima com um sorriso na face...
É claro que gosto que Portugal ganhe e alguns dos momentos mais eufóricos que vivi com o futebol foram graças à selecção. Não me posso esquecer daquelas tardes já longínquas no Jamor a ver as jovens promessas - JVP ou Figo -, os mundiais de juniores com o Queiroz, ou mais recentemente as caminhadas no Euro 2004 e no Mundial 2006. Mas por vezes hesito se não preferia uma cobertura menos histérica e mais racional do Mundial 2010, ainda que isso signifique ver a Bósnia na África do Sul.

terça-feira, setembro 08, 2009

Out of Africa

Em linha com a minha tese de que a forma da actual Selecção Nacional depende da forma do Deco, achei que Portugal tinha sérias hipóteses de ganhar na Dinamarca, tanto mais que o Tiago também está a jogar bem pela Juventus, o CR (perdoem-me) é sempre bom, etc, etc. O jogo confirmou as minhas expectativas, Portugal foi brilhante em alguns momentos, mas o Tomasson tinha razão: Portugal não tem pontas de lança e teve que ir buscar um ao Brasil. Até tenho encarado com muita serenidade o facto de Portugal estar a patinar no apuramento, para ver se compreendemos de vez o alcance da famosa frase do Scolari, de que "burro era ele". Mas depois do jogo da Dinamarca fiquei triste e convencido de que merecíamos melhor (melhor treinador, melhores guarda-redes, melhor classificação). Mas agora já é tarde: de fora, como nos bons velhos tempos. Apesar de tudo, vamos ganhar à Hungria.
Nota final: Como não podia deixar de ser prefiro o Liedson na selecção do que qualquer alternativa (qual?) 100% nacional. Mas sendo assim, para quando a naturalização de Javi Garcia ou do Peçanha? Será que isto das selecções nacionais ainda se justifica?