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quinta-feira, dezembro 10, 2009

Um mundo à parte

Não sei bem sobre o que é este post: sobre a imprensa, sobre a "verdade desportiva" ou sobre a "verdade" tout-cort. Na segunda-feira fui ver o União de Leiria - Nacional. Noite de frio, mas a pedir uma pausa. Ao mesmo tempo, na TV, estava a dar o Setúbal-Sporting. Em Leiria, uma ou duas câmaras de televisão, para um resumo de meio minuto (à boa moda antiga) e "informações periódicas" do resultado nas rádios nacionais. Como nos anos 80.

O Nacional ganhou 2-1, com uma arbitragem medíocre, típica do conhecido árbitro. No dia seguinte, enquanto se discutia a "intensidade" das faltas nos jogos dos grandes, o jogo Leiria - Nacional tinha uma breve menção nas páginas 26 e 27(!) do jornal "A Bola". Pelo menos dois golos (o do Leiria e o segundo do Nacional) são altamente questionáveis, mas sobre isso não li nem vi nada. E como ângulo preferencial de análise (chacota), o jornal "A Bola" falava de uma assistência a rondar as 100 pessoas. Sinceramente... só 100 pessoas estavam na minha fila para o bar... Bem sei que não éramos muitos, mas "CEM" pessoas???

Para concluir: este foi um jogo a contar para a 1ª Liga de Portugal e com uma das nossas equipas "europeias"; mas para a imprensa e grande público bem pode ter sido um jogo da 3ª divisão de Malta.

É por isso que eu acho que, para já, este movimento pela "verdade desportiva" é uma mentira. Por agora, trata-se simplesmente de mais um mecanismo de pressão e agitação em torno de "grandes jogos" ou de "jogos dos grandes", destinado a embaraçar ainda mais os árbitros. Claro que eu gostaria de toda a verdade desportiva, mas enquanto houver este fosso futebolístico tão grande, não só entre países mas também dentro de cada país, não posso concordar. E mencionar o que se passa nos EUA como forma de legitimar este "movimento pela verdade desportiva" é de rir. Mas isso fica para uma próxima oportunidade.

terça-feira, setembro 29, 2009

Com o Benfica ao colo

Uma das críticas mais substantivas que os americanos fazem ao futebol (soccer) é a de que é um desporto onde se marcam poucos golos, onde o vencedor se decide tipicamente por um ou dois golos apenas e onde a marcação de golos é extremamente difícil - não estando particularmente correlacionada com o domínio de jogo (muitas vezes decorre de situações casuais, por exemplo bolas paradas - ver post abaixo).
A crítica principal dos americanos não é, por isso, a de "falta de espectáculo" (veja-se que no basebol e no hóquei no gelo também há poucos golos). Na verdade, a crítica principal tem a ver com o papel exagerado que o árbitro acaba por desempenhar na determinação do vencedor. Sabe-se bem quão verdadeiro isto é: um livre mal assinalado, um cartão vermelho estúpido, um penalty inventado - e pronto o jogo fica decidido. E os americanos - tão reticentes à intervenção de entidades exteriores e tão amantes do mérito individual - não compreendem este poder desmesurado atribuido ao juiz.
Note-se que isto não é necessariamente um apelo à ideia da "verdade desportiva". Trata-se apenas da constatação de que este é um desporto com uma concepção deficiente, onde a qualidade de jogo nem sempre é recompensada e onde as regras prevêem penalizações desadequadas.
Isto tudo para dizer que: sim, o Benfica tem jogado bem; sim, até tem merecido ganhar; mas em quase todos os jogos fiquei com a sensação de que sem o empurrãozinho do juiz o mais certo era não ganhar (vide Guimarães, Leiria e agora jogo com o Leixões). Em contrapartida, contra o Marítimo o domínio foi avassalador e o resultado foi o empate.
A pergunta é: está o Benfica a ser levado ao colo ou não?